Blog do Chammas


Xico Sá

Excelente a coluna do Xico Sá na Folha de hoje. Vale a leitura

XICO SÁ

Sobrou até para o Jason


São Paulo está acabando com o melhor das vocações boêmias e com o melhor dos parques de diversão noturna


AMIGO TORCEDOR , amigo secador, na cidade proibida, agora sobrou para o Jason, personagem de "Sexta-Feira 13" reencarnado no outrora morto-vivo time do São Paulo. No futebol, quem não faz leva; na política e na segurança pública, quem não faz proíbe, fecha, prende e arrebenta. É proibido beber cerveja, levar bandeiras, batucadas... É proibido placa, luminoso, andar de fretado, fumar, é proibido morrer sem saúde na bucólica Piratininga.
Claro que, nesse embalo, sobraria para o Jason na metrópole que incorporou as proibições como obra de governo ou estratégia de polícia. Ora, deixem os são-paulinos celebrarem o retorno ao bom combate. O amigo, arquibaldo ou geraldino, tem que mostrar a cara para facilitar ser identificado como bandido. É o argumento dos homens, "teje preso", não se mexa. E se fossem policiar o carnaval de Veneza ou a folia do Recife... Melhor: se cuidassem do carnaval de Bezerros, onde 300 mil pessoas se vestem de papangus, inventivas máscaras do agreste pernambucano.
É, velho Oswald, a alegria era a prova dos noves, agora danou-se, o alcaide acaba com a festa e as demais autoridades passam o rodo. A onda é fechar, rebocar paredes de boates e botequins, expulsar as moças dos saudáveis rendez-vous, pôr a ordem que acham correta e ganhar votos e aplausos de certa fatia da classe média ou dos pobres em Cristo que já fecharam suas almas para balanço.
Os Jasons, assim como os tantos zumbis ludopédicos do Maraca, trazem a criancice aos adultos e empolgam mais as crianças. Ainda bem que estão soltos nos estádios e nas ruas os sacis do Beira-Rio, os papões da Curuzu, os galos das Gerais, os orixás da Bahia, os Hulks dos times clorofilados, as caveiras e as múmias gigantes de todas as praças etc. Como se não bastassem os desmanches e toda uma sorte de pilantragens, querem levar também o mínimo poder de fantasiar das torcidas. Se profissionalismo for isso, devolvam já a minha várzea. O que São Paulo precisa, para aguentar os proibidões em plantão permanente, é mais delírio e menos patrulha. Menos Caxias e mais personagens de "Pornopopéia" (ed. Objetiva), livraço do Reinaldo Moraes -com acento mesmo, ao contrário do que dita a reforma ortográfica.
A cidade proibida está jogando fora a melhor das vocações boêmias, destruindo o melhor dos parques de diversões noturnas. Mais Javaris com humor e menos Morumbis dominados e obedientes. Se isso é ser moderno, ódio eterno, como diz o cartaz de "Juventus Rumo a Tóquio", um curta de Andréa Kurachi , Helena Tahira e Rogério Zagallo. O filme conta a saga de uma derrota épica. Neste caso, o time da Mooca perdeu de 2 a 3 para a Linense, com um gol salvador ao crepúsculo, conquistando a Copa Federação Paulista em novembro de 2007. É disso que o futebol carece. Mais Jasons e tirações de onda em toda parte. Esse tipo de gozação inibe muito mais a violência do que a cara feia da polícia. O mesmo pode ser dito sobre a boemia de bares, ruas e calçadas, capaz de devolver a cidade a quem rala e se diverte. Pela desobediência civil e pelo direito sagrado de fantasiar a vida. Com ou sem máscara.



Escrito por Guilherme Chammas às 14h01
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Oposição?

Qual é a real diferença entre Sarney, Renan e cia. e os que os acusam?

O senador Sergio Guerra, presidente do PSDB, também mama nas tetas do poder. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u607433.shtml

Tasso Jereissati usou dinheiro público para se deslocar em jatinhos. http://cearaenoticia.blogspot.com/2009/04/folha-tasso-paga-jatinho-com-dinheiro.html

Pagamos para o assessor de Arthur Virgilio estudar fora do país. http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/virgilio-vou-devolver-verba-usada-por-assessor-no-exterior-04023466C8A16346?types=A&

A lista deve ser ainda mais extensa. Do contrário, os senadores da oposição, que se portam como paladinos da Justiça e defensores dos bons costumes, não teriam tanto medo dos possíveis dossiês que Renan e cia. ameaçam apresentar.

Lamentável

 



Escrito por Guilherme Chammas às 13h37
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O Judiciário é o culpado...

...pelas mazelas que assolam o Congresso Nacional. Se houvesse punição não haveria crime. E os nossos congressistas deleitam-se com o dinheiro público sabendo que, no máximo, perderão seus mandatos.

Quando não há culpa não há crime. A lentidão da Justiça favorece a banda podre da política. Vejam no link abaixo a lista de senadores que respondem, infelizmente em liberdade, a processos na Justiça

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u607396.shtml



Escrito por Guilherme Chammas às 13h28
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Férias

Estou curtindo umas merecidas férias em terras uruguaias.

O frio está pavoroso e o país é um tesao.

Voltarei a a postar no blog mais para o final da semana.

Beijos e abraços

 



Escrito por Guilherme Chammas às 21h42
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Sarney cai

Os deuses finalmente ouviram as vozes de milhões de brasileiros que pedem a queda de Sarney.

Infelizmente entenderam errado, livrando o bigodudo de mais uma.

Acho que a czar não é imortal apenas da ABL. Desta vez, sobrou para sua esposa bigoduda.

http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac407359,0.htm

Mulher de Sarney fratura ombro e casal viaja para SP

 

CAROL PIRES - Agencia Estado

BRASÍLIA - A esposa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Marly Sarney, sofreu uma queda hoje ao tropeçar em um tapete e fraturou a região do ombro em quatro partes. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência do Senado, dona Marly será levada ao Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. José Sarney, de acordo com os assessores, acompanhará a esposa na viagem, que ainda não tem horário definido. O presidente do Senado passava o recesso parlamentar com a família no Maranhão



Escrito por Guilherme Chammas às 15h06
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Estou na torcida

O Brasil ganhou ontem de Cuba na abertura da fase final da Liga Mundial de Vôlei. Assisti a um pedaço do jogo, e o Brasil lançou vários foguetes na quadra dos adversários.

Gosto de Cuba e, por respeito ao mestre Fidel, também quero ver Cuba lançar.



Escrito por Guilherme Chammas às 15h00
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Mario Gobbi fanfarrão

Não sou corintiano, mas não concordo com as bravatas proferidas pelo diretor de futebol do Corinthians, Mario Gobbi, ontem, após o jogo contra o Vitória, no Pacaembu. Em resumo, o dirigente falou que o "fim do futebol é business", que a "torcida não tem opinião própria" e colocou a culpa na mídia pelas cobranças que os torcedores fazem.

Vejam a frase do cartola fanfarrão: "Não podemos cair nesse discurso medíocre e hipócrita de torcedor de arquibancada, que não tem cultura para falar disso. É ignorar que o objetivo final do futebol seja dar retorno financeiro ao clube".

Em uma visão romântica, futebol é esporte. Substantivo este que, segundo o dicionário, remete à: atividade lúdica, hobby, passatempo.

Por si só, a indústria do entretenimento funciona diferente das demais. Quem está preocupado em obter retorno financeiro desta (até mais do que em outros ramos) tem de ter 100% do foco em seu consumidor. O lucro, como sempre, é uma conseqüência.

Entretanto, os dirigentes sabem, que quem consome o "produto futebol" é o torcedor, movido pela paixão ao seu clube. Não se trata de uma relação ordinária custo-benefício como em outros produtos e serviços. Portanto, se aproveitam disso, tratando o torcedor como “mulher de malandro” que volta para casa mesmo depois de apanhar.

Em uma visão estratégica de longo prazo, essa estratégia está longe de ser a mais eficiente.

Tomando o business como referência, o cartola demonstrou ser um péssimo administrador: desqualificou seu consumidor. Hipocrisia é aguentar este tipo de discurso de pessoas mais preocupadas com o bem estar da instituição do que com o da torcida. Clube e torcida devem caminhar juntos, uma vez que são inter-dependentes.

http://esportes.terra.com.br/futebol/brasileiro/2009/interna/0,,OI3890304-EI13759,00-Cartola+culpa+capitalismo+selvagem+por+desmanche+corintiano.html

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Corinthians/0,,MUL1241216-9862,00-DIRETORIA+DO+TIMAO+DISPARA+CONTRA+PROTESTO+DA+FIEL+DISCURSO+MEDIOCRE.html



Escrito por Guilherme Chammas às 14h53
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De alfinetes e ameaças

Beira a perfeição a coluna de Clóvis Rossi, publicada na Folha de S. Paulo de hoje. Mostra toda a incoerência de Lula na defesa veemente e cega de Sarney.

CLÓVIS ROSSI

De alfinetes e ameaças

SÃO PAULO - Um minuto depois de jurar que jamais colocaria "um alfinete para atrapalhar uma investigação" [do Ministério Público], o presidente Luiz Inácio Lula da Silva jogou um caminhão inteiro de mísseis, não de alfinetes, no caminho dos procuradores.
Disse o presidente, na posse do procurador-geral da República: "Um dia vai aparecer alguém que vai achar que vocês são demais e vai propor mudanças no Congresso Nacional. Sabemos que a mudança nunca será por mais liberdade e sim por mais castramento".
Lula sabe perfeitamente que o Congresso Nacional está discutindo limites à atuação dos procuradores, ou seja, que já apareceu alguém que quer "castrar" esse pessoal que, descontados alguns abusos, tem sido de extraordinária valia para a República.
A frase de Lula roça até na ameaça, ainda mais que ela está claramente vinculada à descabelada tese segundo a qual nem todos são iguais perante a lei, posto que um político como José Sarney não pode ser tratado como "pessoa comum".
Ante os procuradores, Lula insistiu nessa rematada tolice, ao dizer que o investigador "tem que pensar não apenas na biografia de quem está investigando, mas na de quem também está sendo investigado" (a reprodução é literal de uma frase algo pedregosa).
Não, presidente, quem tem que pensar na biografia é o próprio biografado, que não pode cometer crimes, trambiques ou imoralidades. É correto, presidente, o investigador inocentar um assassino só porque, nos 50 anos anteriores, sua biografia era exemplar?
A insistência nesse despautério fez um ouvinte da CBN enviar mail à emissora ontem suspeitando que Lula está, na verdade, impetrando um habeas corpus preventivo para a sua própria biografia quando deixar o Palácio do Planalto. Homens públicos pagam o preço pelo que fazem e também pelo que dizem.



Escrito por Guilherme Chammas às 15h50
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Não quero mais pagar o salário do João

Quer dizer então que, além de trouxa, ainda sou zoado?

Como faço para pedir a suspensão do pagamento?

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090722/not_imp406418,0.php

Diálogo mostra zombaria de filho com benesses no Senado

Em conversa com o pai, neto de Sarney admite que, embora estivesse na folha de pagamento da Casa, não costumava aparecer para trabalhar

Rodrigo Rangel, BRASÍLIA

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Parte dos diálogos gravados pela Polícia Federal mostra que, em privado, integrantes da família Sarney faziam troça das benesses que tinham no Senado. Numa conversa com o pai, Fernando Sarney, o estudante João Fernando Michels Gonçalves Sarney admite que, embora estivesse pendurado na folha de pagamento do Senado como funcionário do gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), não costumava aparecer para trabalhar.

Às gargalhadas, João conta ao pai que foi chamado por Cafeteira no gabinete para uma conversa. "Fui lá achando que era alguma coisa importante (...) e ele falou: ?Não, pô, eu só queria te ver?."

Filho de Fernando Sarney com a ex-candidata a Miss Brasília Rosângela Terezinha Michels, João, 22 anos, foi nomeado assessor de Cafeteira em 1º de fevereiro de 2007. Ficou no cargo, que lhe rendia salário mensal de R$ 7,6 mil, até 3 de outubro do ano passado. Foi exonerado por força da súmula do Supremo Tribunal Federal que proibiu o nepotismo no serviço público. Como revelou o Estado, no mês passado, a exoneração se deu por ato secreto, para não chamar atenção. Para o lugar do estudante, foi nomeada a mãe dele.

Na conversa gravada pela PF em 25 de março de 2008, Fernando diz ao filho, que mora em Brasília, que tinha passado pela cidade naquele dia, em escala rumo a São Paulo. João aproveita para contar a conversa com Cafeteira. "Depois eu te conto o que o senador me aprontou", diz, em tom de galhofa. "Tu ligou pra ele e perguntou se eu tava indo trabalhar, não foi?", pergunta ao pai. Fernando Sarney diz que sim.

João, então, desfia a história: "Pois é. Eu cheguei de viagem ontem, né, só que eu tava com dor de barriga, né (...) Passei o dia inteiro em casa, não fui nem para a faculdade. Aí me ligou a secretária (de Cafeteira), dizendo ela que era pra eu ir pra lá porque ele queria falar uma coisa comigo". Fernando também gargalha. É quando João relata a "peça" que Cafeteira lhe pregou repetindo o que ouvira do senador: "Teu pai perguntou se você tava trabalhando e eu tinha que te ver pra falar pra ele."

Em outra conversa, gravada pela PF no mês anterior, Fernando Sarney dá um pito em João, que lhe pedira dinheiro para trocar de carro.

O pai diz que o filho não tinha razão para lhe pedir dinheiro. Afirma que, de todos os seus filhos, João é o que põe mais "grana no bolso". E não hesita em incluir o salário que o filho recebia do Senado na conta da mesada: diz que João já recebia "7 mil e pouco" do Senado, "mais cinco mil e tanto".

Quando o Estado revelou o caso de João, Cafeteira, velho aliado de José Sarney, negou que o neto do presidente do Senado fosse funcionário fantasma. Assessores do gabinete, no entanto, disseram não haver nenhum João entre os servidores que davam expediente ali.


Escrito por Guilherme Chammas às 15h49
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O caso Luciano Huck

Há quase dois anos, o apresentador Luciano Huck foi vítima de um assalto à mão armada no Itaim. Levaram seu Rolex de ouro. E ele botou a boca no mundo escrevendo um artigo para a Folha de S. Paulo (01/10/2007). Este gerou muita repercurssão, e o escritor Ferréz respondeu no mesmo espaço uma semana depois. Reproduzo abaixo os dois artigos. Quem vocês acham que tem razão? A violência é justificável dada a desigualdade social que impera no Brasil? Deixo para vocês opinarem.

Leia o artigo de Luciano Huck:

Pensamentos quase póstumos


LUCIANO HUCK


LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.
Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase "infantis" para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de "extraterrestres" fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?
Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.
Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei".
Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.

LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa "Caldeirão do Huck", na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.


Leia o artigo de Ferréz:

Pensamentos de um "correria"

FERRÉZ


ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.

 

 



Escrito por Guilherme Chammas às 22h59
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Até que demorou

Fui vítima de um assalto na noite de ontem. Tive uma arma apontada para mim depois de 29 anos morando em SP. Até que demorou. Tenho certeza de que quem lê este artigo ou já passou por isso ou conhece várias histórias de pessoas próximas que tiveram sua vida ameaçada em troco de um bem material. No meu caso, troquei minha sobrevivência por um automóvel popular. Ainda bem que consegui escolher. Nem todos têm esta sorte. 

Ontem mesmo um homem morreu em condições bastante similares à qual passei (No Cambuci, Fred Chua, de 28 anos, estava dentro do carro com uma pessoa quando um assaltante chegou, bateu no vidro com a arma e pediu a chave. O rapaz desceu do carro e disse que a chave estava no contato. Ele levou um tiro no peito. O bandido pegou a carteira e fugiu a pé. O rapaz morreu no hospital). Poderia ter sido eu.

E isto assusta. O pior de tudo foi ter passado por esta experiência. O medo que senti ontem e que se repercute hoje não pode ser compensado pelo dinheiro do seguro do carro ou pelo cancelamento de meus cartões de crédito e de meu celular. É um trauma com o qual terei que aprender a conviver.

Juro que não quero focar a discussão em maniqueísmos batidos, mas, às vezes, precisamos abusar deles. O cara que me assaltou pode até ter uma vida fodida, mas nada (absolutamente nada) justifica atentar contra a vida de duas pessoas e deixar cicatrizes mentais irreparáveis, uma lembrança desagradável para o resto da vida. O prejuízo material, mais cedo ou mais tarde, se recuperará com trabalho e esforço.

Há maneiras e maneiras de tocar a vida. Imaginem só se todas as pessoas que não nasceram privilegiadas virassem criminosos para sobreviver. Estaríamos fodidos. Estes argumentos não me convencem. "Você prefere viver pouco como um rei ou muito como um Zé"? Esta frase consta numa música do repertório dos Racionais e, imagino eu, serve de exemplo para muitos manos da periferia. O ladrão, que não aparentava ter mais de 25 anos, deve ter pensado muito nisto.

Foi covarde. Apontar um cano para alguém é coisa de perdedor. Apostar no crime como opção de vida é escolher o caminho mais fácil. E não é justo. Trabalhei muito para comprar os bens que me foram subtraídos ontem. Me esforcei, fui atrás para conseguir. Uma coisa é quando o Papai do Céu chama você lá para cima e confisca tudo. Outra, é ser tomado por alguém.

Eu faço minha parte pagando meus impostos. Se nosso governador Jose Serra está mais preocupado em banir o cigarro dos bares e a coxinha das escolas em vez de investir em segurança pública e em programas de inclusão social, não sou eu o responsável.

Sou uma vítima neste assalto. Não posso me sentir culpado por ter me esforçado para construir minha vida, e o carro era meu bem material mais valioso. Não admito pseudo-paladinos que justificam um crime baseado em teorias de justiça social. Aposto que estes nunca passaram pelo que eu passei ontem. É impossível ficar indiferente. E, da mesma forma que alguém teve o direito de atentar contra minha vida e a de minha namorada, eu tenho o direito (abusando de eufemismo) de me sentir revoltado.



Escrito por Guilherme Chammas às 22h52
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Talvez a solução seja esta

Segundo o "Painel da Folha" de hoje, Dedé Santana quer entrar na política. (nota abaixo)

Não tenho nada contra. A classe dos palhaços de Brasília está precisando de renovação. Cansei de ver os mesmos humoristas fazendo as mesmas piadas.

E, para fazer humor, é preciso cara de pau. Isto tem de sobra na capital federal. Entretanto, está faltando talento. Portanto, é o casamento perfeito: Dedé pode ensinar nossos nobres parlamentares a renovarem suas piadas e os congressistam o ensinam a ser mais desinibido.

Cá para nós, quem é mais engraçado: Dedé Santana ou o bigodudo imortal da ABL?

Piada pronta. Um dos integrantes de "Os Trapalhões", o humorista Dedé Santana procurou ontem o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) no plenário. Ele quer ser candidato a deputado federal pelo partido, no Paraná.

 



Escrito por Guilherme Chammas às 15h18
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Cruzeiro é Brasil ! Ou não. Torci muito para o Estudiantes ontem na final da Libertadores. Por dois motivos: o primeiro foi por dor de cotovelo, afinal, eles eliminaram o SP da competição; já o segundo foi por raiva do falastrão Kleber, que disse que dedicaria a vitória aos torcedores do Palmeiras.

Picuinhas à parte, o primeiro tempo do jogo foi de dar sono em qualquer um. Poucas chances de gol, muita porrada e catimba. O segundo tempo foi bastante equilibirado e aberto. Os argentinos, mais uma vez, levaram a melhor sobre os brasileiros na parte emocional. É impressionante como nossos irmão portenhos jogam tranquilos fora de casa, ao contrário do que acontece com os times brasileiros. Após tomar gol do Cruzeiro, Gaston Fernandez, Veròn e cia. tiveram calma para reverter o placar. De forma natural, jogando da mesma maneira que antes de sofrer o revés.

Após marcar o gol, o time mineiro, que já não vinha jogando bem, se desesperou. Sem saber se partia para cima a fim de definir a partida ou jogava na retranca, não fez nem uma coisa nem outra. Até o excelente Ramires prefereriu dar pancada a jogar bola.

Insisito que a Libertadores é um torneio diferente. O Cruzeiro tinha mais time que o Estudiantes. Ontem, ficou, mais uma vez, provado que a experiência / malandragem em um torneio internacional contam mais do que o conjunto. (Veja as últimas amareladas dos brasileiros em http://esporte.uol.com.br/futebol/especiais/brasileiroslibertadores.jhtm)

E, mais importante que isso, o SP continua reinando absoluto no posto de time brasileiro que mais ganhou a Libertadores.



Escrito por Guilherme Chammas às 15h02
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Vote certo

Cansado de ficar à mercê dos ladrões de Brasília? Só reclama do escritor-bigodudo picareta? Se os eleitores não fossem tão apáticos no período pós-eleitoral e cobrassem seu candidato, as coisas seriam diferentes. Porém, entendo que a impunidade desanima. Muitos escândalos, grandes evidências e..nada acontece.(http://noticias.uol.com.br/politica/2009/07/15/ult5773u1719.jhtm)

Infelizmente, apenas pelas vias democráticas podemos tentar mudar esta situação. E há um meio fácil e rápido de acompanhar o trabalho de nossos amados parlamentares.

O site http://www.excelencias.org.br/ é excelente. Nele, constam informações completas sobre a atuação dos deputados e senadores, incluindo presença ou ausência nas seções, projetos apresentados, declaração de bens, doações recebidas e feitas, processos aos quais responde etc.

Vale a pena dar uma fuçada pelas páginas do site.

Ano que vem tem eleição. Errar é humano, insistir no erro...



Escrito por Guilherme Chammas às 15h09
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Xadrez: só na bolsa ou no sofá

Romario foi preso ontem, acusado de não pagar a pensão alimentícia dos filhos Romarinho e Moniquinha (aff). Justo. Hoje no Brasil, a única acusação que realmente dá cadeia é a falta de pagamento da pensão. Não distingue ricos e pobres, e o trâmite das ações é feito de forma rápida e eficaz. Comeu, deu merda e não pagou? Dorme no xadrez.

Quem dera a Justiça fosse séria também em outros julgamentos. Tomo como exemplo o caso de Eliana Tranchesi, dona da Daslu. A perua foi condenada a quase 100 anos de prisão. E daí? Seus poderosos advogados a livraram da enrascada e ela continua solta, enchendo o rabo de dinheiro. (http://www.estadao.com.br/noticias/economia,entenda-a-prisao-de-eliana-tranchesi-e-veja-cronologia-do-caso,345372,0.htm)

Ontem foi a vez de Tania Bulhões, também acusada de sonegação e lavagem de dinheiro. Para se ter uma ideia das dificuldades financeiras enfretadas pela mulher, na porta de sua loja tem um lustre avaliado em R$ 100 mil. Acho que a artista plástica não tem necessidade de enganar a receita para pagar seus impostos, não é mesmo? Alguém acredita que o processo vai dar em algo e que ela vai pagar pelos crimes cometidos?



Escrito por Guilherme Chammas às 14h55
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